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Os novos métodos de matemática na escola, explicados para pais

Por Laura Bennett, MathIt · Publicado em · Atualizado em · 9 min de leitura
Ilustração plana sobre fundo roxo-escuro de um pai confuso e uma criança confiante à mesa, olhando uma folha de lição de casa cheia de grades e pontinhos.

Por que a escola ensina matemática diferente de como eu aprendi?

A matemática é ensinada diferente porque os currículos atuais pedem que a criança entenda o valor posicional antes de usar atalhos. Estratégias como completar a dezena, decomposição de números, reta numérica e modelo de área mostram por que uma conta funciona. A conta armada continua chegando: nos Estados Unidos, no 4º ano para somar e subtrair, no 5º para multiplicar e no 6º para dividir.

Pontos principais

  • O Common Core, padrão americano, é uma lista do que a criança deve saber ao fim de cada ano, e deixa o método de ensino a cargo das escolas, como a BNCC no Brasil.
  • As novas estratégias separam os números em dezenas e unidades, a mesma ideia que faz o "vai um" e o "pedir emprestado" funcionarem.
  • A conta armada é obrigatória no Common Core: 4º ano para somar e subtrair, 5º ano para multiplicar, 6º ano para a divisão longa.
  • Os pais ajudam mais quando pedem que a criança explique a folha, treinam os fatos básicos e guardam o atalho para depois que a estratégia fizer sentido.
  • A fluência nos fatos básicos continua sendo exigida: somas de dois números de um algarismo de memória até o fim do 2º ano, produtos até o fim do 3º.

O que é o Common Core, o padrão americano de matemática?

O Common Core é um conjunto de padrões dos Estados Unidos: uma lista, ano a ano, do que a criança deve entender e saber fazer. Ele não é um livro didático, nem um método de ensino. O documento diz isso com todas as letras: "Estes padrões não determinam o currículo nem os métodos de ensino."

Essa frase explica boa parte da confusão na mesa da cozinha. Os padrões dizem o que a criança deve alcançar até o fim do 2º ou do 4º ano. O livro didático escolhido pela rede de ensino decide como, e é daí que vêm a decomposição de números, os quadros de dez e as retas numéricas.

O Common Core também chegou a muitos lugares ao mesmo tempo. Quase todos os estados, menos cinco, o adotaram no início, e muitos já revisaram, alteraram ou renomearam suas versões. Seja qual for o nome atual, as estratégias na lição de casa costumam ser parecidas.

No Brasil, o papel equivalente é da BNCC. A Base Nacional Comum Curricular é um "documento de caráter normativo" que define as aprendizagens essenciais de cada etapa, e o próprio texto diz que BNCC e currículos têm papéis complementares: as redes e as escolas decidem como ensinar. Em matemática, a habilidade EF03MA05 pede que a criança use diferentes procedimentos de cálculo mental e escrito, "inclusive os convencionais".

Por que a matemática é ensinada diferente de quando eu estava na escola?

A matemática é ensinada diferente porque os padrões colocam primeiro a compreensão do valor posicional e depois o método escrito rápido. As crianças continuam aprendendo o "vai um" e o "pedir emprestado". Elas só chegam a esses passos depois de ver por que eles funcionam.

Os padrões descrevem compreensão como a capacidade de explicar "por que uma afirmação matemática é verdadeira ou de onde vem uma regra matemática", e acrescentam que compreensão e domínio dos procedimentos são "igualmente importantes". Pense no "vai um". Esse "um" é uma dezena. A criança que sabe disso consegue conferir a própria resposta. A criança que só lembra de "escrever o 1 pequenininho em cima" não tem como conferir nada quando os números crescem.

O Conselho Nacional de Professores de Matemática dos Estados Unidos (NCTM) defende algo parecido na sua declaração sobre fluência procedimental: fluência é usar os procedimentos "com eficiência, flexibilidade e precisão", e todo aluno deve aprender mais de um método para escolher o que combina com a conta. Para 98 + 35, o cálculo mental flexível é 100 + 35 − 2 = 133. Nada de armar a conta.

Jogue grátis no navegadorValor posicional1.º–2.º ano

O que significam as novas estratégias de matemática?

As novas estratégias de matemática são todas maneiras de quebrar os números em pedaços amigáveis, quase sempre dezenas e unidades, para que a conta aconteça em etapas que a criança consegue ver. Cada uma corresponde a um método que você já conhece.

EstratégiaComo apareceAnoA conta tradicional a que leva
Decomposição de números10 separado em 7 e 3; 5 separado em 2 e 3Educação Infantil–1ºSaber os pares que formam 10
Completar a dezena8 + 5 = 8 + 2 + 3 = 10 + 3 = 131ºO "vai um"
Reta numérica aberta53 − 27: pular de 27 para 30, para 50, para 532ºO "pedir emprestado"
Modelo de área23 × 14 = 200 + 80 + 30 + 12 = 3224ºMultiplicação armada
Quocientes parciais372 ÷ 6 = 50 + 12 = 624º–5ºDivisão pelo método da chave

Decomposição de números. O diagrama de decomposição é um círculo com um número e dois círculos embaixo para as suas partes. Os padrões da pré-escola pedem que a criança decomponha números até 10 em pares de mais de uma maneira, por exemplo 5 = 2 + 3 e 5 = 4 + 1. Os pares que formam 10 são os mais importantes, porque todas as estratégias seguintes se apoiam neles. Algumas rodadas de prática de decomposição deixam esses pares automáticos.

Completar a dezena. Completar a dezena transforma uma conta difícil numa fácil. Em 8 + 5, falta 2 para o 8 chegar a 10, então o 5 se separa em 2 e 3: 8 + 2 = 10, e 10 + 3 = 13. O padrão do 1º ano cita essa estratégia com quase o mesmo exemplo: 8 + 6 = 8 + 2 + 4 = 10 + 4 = 14. Quando seu filho fizer depois o "vai um" em 48 + 35, é o mesmo movimento no papel.

Reta numérica aberta. A reta numérica aberta é uma linha em branco com saltos desenhados, sem marcações de régua. Para 53 − 27, comece no 27 e avance em saltos amigáveis: +3 chega ao 30, +20 chega ao 50, +3 chega ao 53. Os saltos somam 3 + 20 + 3 = 26, então 53 − 27 = 26. O 2º ano pede que a criança represente somas e diferenças até 100 numa reta numérica. O guia prático do What Works Clearinghouse para alunos com dificuldade, Assisting Students Struggling with Mathematics, recomenda a reta numérica como ferramenta para aprender conceitos e procedimentos. Quando a troca de dezenas fizer sentido, a adição com reagrupamento é um bom treino na sequência.

Modelo de área. O modelo de área desenha a multiplicação como um retângulo dividido em partes. Para 23 × 14, separe 23 em 20 e 3, e 14 em 10 e 4. As quatro caixas guardam 20 × 10 = 200, 20 × 4 = 80, 3 × 10 = 30 e 3 × 4 = 12, e 200 + 80 + 30 + 12 = 322. Escritos em coluna, esses quatro números se chamam produtos parciais. A conta armada encontra exatamente esses pedaços em duas linhas: 23 × 4 = 92 e 23 × 10 = 230, e 92 + 230 = 322. O 4º ano pede que a criança explique a multiplicação com igualdades, arranjos retangulares e modelos de área.

Quocientes parciais. Os quocientes parciais deixam a criança dividir em blocos de que ela tem certeza. Para 372 ÷ 6, tire 50 vezes o 6 (300) e sobram 72; tire 12 vezes o 6 (72) e não sobra nada. A resposta é 50 + 12 = 62, e 6 × 62 = 372 confirma.

Jogue grátis no navegadorComposição de números1.º–2.º ano

O Common Core proíbe a conta armada?

O Common Core não proíbe a conta armada; ele a exige, com todas as letras, em três pontos. Os padrões de matemática do Common Core dizem:

  • 4º ano (4.NBT.B.4): "Somar e subtrair com fluência números naturais de vários algarismos usando o algoritmo convencional."
  • 5º ano (5.NBT.B.5): "Multiplicar com fluência números naturais de vários algarismos usando o algoritmo convencional."
  • 6º ano (6.NS.B.2): "Dividir com fluência números de vários algarismos usando o algoritmo convencional."

Então o "vai um" e o "pedir emprestado" vão chegar. O que muda é o momento. Do 1º ao 3º ano, os padrões pedem estratégias "baseadas no valor posicional" e que a criança "relacione a estratégia a um método escrito". Os desenhos são a ponte, e costumam sumir quando o método escrito faz sentido. Uma criança do 2º ano desenhando saltos está no ritmo certo. Uma criança do 5º ano que nunca viu uma adição armada é assunto para conversar com a professora.

Como ajudar numa lição de casa que eu não entendo?

A ajuda mais útil é deixar seu filho ensinar a estratégia para você. Explicar um método em voz alta é justamente a habilidade que a lição está treinando.

  1. Pergunte antes de mostrar. "O que a professora fez nessa aqui?" A maioria das crianças consegue explicar uma estratégia que entendeu pela metade, e falar sobre ela muitas vezes completa o entendimento.
  2. Procure o exemplo resolvido. Folhas de exercício e páginas do livro costumam começar com um problema modelo. Copie o formato dele na próxima questão, passo a passo.
  3. Traduza para dezenas e unidades. Seja qual for o diagrama, pergunte "quantas dezenas, quantas unidades?". Essa pergunta serve para a decomposição, a reta numérica e o modelo de área.
  4. Guarde o atalho para depois. Se a tarefa pede uma reta numérica, um atalho que pula essa etapa rende uma correção em vermelho e uma criança confusa. Mostre o seu método depois, como forma de conferir a resposta.
  5. Mande um bilhete. Quando nenhum dos dois consegue decifrar a página, um bilhete curto para a professora ("travamos na reta numérica") é uma informação útil para a próxima aula.

Uma criança do 2º ano que está treinando a troca de dezenas no papel pode usar uma folha de adição para o 2º ano, que vem com gabarito. Para ter a visão geral do que cada ano cobre, veja o que a criança deve saber de matemática em cada ano.

Onde entram os fatos básicos?

Os fatos básicos continuam precisando ser memorizados, e os padrões dão prazos claros para isso. Todas as estratégias acima ficam mais rápidas quando as contas pequenas saem sem contar nos dedos.

  • 2º ano (2.OA.B.2): "Até o fim do 2º ano, saber de memória todas as somas de dois números de um algarismo."
  • 3º ano (3.OA.C.7): "Até o fim do 3º ano, saber de memória todos os produtos de dois números de um algarismo."

As duas frases estão nos padrões de matemática do Common Core. As estratégias ajudam a criança a chegar lá. A declaração do NCTM sobre fluência procedimental recomenda ensinar os fatos básicos por meio das relações entre números, como completar o 10, e o guia do What Works Clearinghouse Assisting Students Struggling with Mathematics recomenda atividades curtas e cronometradas com regularidade como um jeito de ganhar fluência depois que a ideia foi entendida.

Em casa, alguns minutos por dia funcionam melhor que uma sessão longa no fim de semana. Primeiro vêm os pares que formam 10, depois os dobros, depois o resto dos fatos da adição. Quando a multiplicação chegar, no 3º ano, como aprender a tabuada rápido mostra uma ordem que reduz a tabela a dez contas difíceis. MathIt é um app gratuito para iOS e Android com cerca de 90 tipos de jogo e dificuldade adaptativa, e um jogo de matemática para pais e filhos transforma o treino dos fatos básicos numa rodada rápida a dois, na mesa da cozinha.

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Perguntas frequentes

O Common Core é um currículo?

O Common Core é um conjunto de padrões, ou seja, uma lista do que a criança deve entender e saber fazer ao fim de cada ano. O próprio documento diz que não determina currículo nem métodos de ensino. Cada rede de ensino escolhe o livro didático, e o livro escolhe as estratégias e o formato das folhas de exercício. No Brasil, a BNCC tem o mesmo papel.

Posso ensinar meu filho a fazer o "vai um"?

O "vai um" faz parte da conta armada, que o Common Core exige até o fim do 4º ano, então você não está ensinando nada proibido. O ponto de atenção é o momento. Se a lição desta semana pede uma reta numérica ou um desenho, deixe seu filho fazer assim primeiro e depois mostre como o "vai um" registra a mesma troca de dez unidades por uma dezena.

O que é decomposição de números?

A decomposição de números é separar um número em duas partes, muitas vezes num pequeno diagrama com o 10 em cima e o 7 e o 3 embaixo. Esse diagrama ensina que os números podem ser desmontados e montados de novo, que é o movimento por trás de completar a dezena e, mais tarde, da troca de dezenas na conta armada.

Por que meu filho precisa mostrar o raciocínio?

Mostrar o raciocínio deixa a professora ver se a criança entende o método ou só lembra dos passos. Os padrões apontam a capacidade de explicar por que uma regra funciona como sinal de compreensão. Uma resposta errada com raciocínio claro também é muito mais fácil de corrigir do que uma resposta errada sem nenhuma conta.

Todos os estados americanos ainda usam o Common Core?

A maioria dos estados americanos adotou o Common Core por volta de 2010, e muitos já revisaram, alteraram ou renomearam suas versões. As estratégias da lição de casa costumam vir do livro didático escolhido pela rede de ensino, então a folha da turma e o documento oficial de cada lugar são os melhores guias do que se espera.

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